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O silêncio predominou o ambiente dentro do carro onde Tristan e Candy estavam. O garoto não era muito de falar, e muito das coisas que ele e a prima conversavam era mais pelo olhar do que por palavras. Ultimamente tinham estado tão próximos que qualquer troca de olhares significava frases inteiras. E ele gostava da sincronia que tinha com a prima mais velha, pois assim, poupava exposição. A língua as vezes, mesmo ele sabendo mentir como um verdadeiro profissional. A garota o levava para o treino, e ele pensava em como faria. E em ver os novos integrantes da equipe que chegariam em breve, que fizeram seus testes antes deles voltarem à pratica. Respirou fundo, moveu o pescoço para o lado esquerdo e para o direito, fazendo-o estalar de modo alto, e então, fez um círculo para trás com a cabeça. Após tais movimentos, levantou a cabeça em um sorriso, abriu a trava do cinto de segurança e desceu do carro, sendo seguido por Candy, que travava as portas do veículo antes de ir ao ginásio junto com ele. Ele abria as portas amplamente, e, tentando se exercitar, e enquanto a morena passava por ele para ligar a música, ele jogou a bolsa lateral para o lado, e lançou o corpo para frente, colocando as mãos no chão e levantando os pés, fazendo tais movimentos repetidas vezes, completando seis mortais em uma vez, antes de atingir a parede. Essa não era sua prática mais comum, mas quando precisavam de uma substituição ou outra, ele sempre era escalado. Movimentou os ombros um pouco, se arrependendo de não ter alongado antes de ter começado a brincar como se fosse uma criança e como se não fosse um treino sério.

Se abaixou, ficando com o joelho direito dobrado e a perna esquerda esticada, fazendo pressão com a mão sobre o joelho esticado, e em seguida, trocando a perna para alongar totalmente os músculos. Depois se levantou, e alongou os braços, colocando um nas costas, e com a mão livre, puxando os cotovelos. Após uma série de aquecimentos, ele estava pronto para realmente começar o treino. Parou na frente de Candy, com a música no repete. — Claro. — Assentiu com a cabeça e começou com a contagem. — Cinco, seis, sete, oito. — E assim continuou, se abaixando, apoiado no joelho esquerdo e com o pé direito firme no chão, assim, sua perna poderia servir de apoio para a flyer, e também levantando as mãos, para que ela subisse em sua perna e tivesse apoio. Não era um movimento difícil, e era só para começarem a pegar o ritmo real da coisa novamente. Ou ao menos ele pegar, ela simplesmente parecia nunca perdê-lo.

“Claro”, essa foi a resposta de certo agradável dada por Tristan, a qual causou um sorriso lateral, casual e completamente seguro vindo de Candy. Ela sentia o corpo todo quente, os músculos mais flexíveis que anteriormente, o coração bater forte com a música que parecia tomar conta de todo o seu corpo junto com a contagem do mais novo para o início de um treinamento privado e satisfatório. Em uma questão de segundos, a base já estava no chão com as mãos prontas para segurar Candy, que realizava movimentos térreos como estrelas sem mãos e reversões em direção ao garoto. Veloz, ela firmou uma das pernas na mão do garoto, para que ele lhe sustentasse no ar e ela fizesse um boucle aéreo, que consiste em segurar uma das pernas atrás da cabeça com a mão contrária, seguido de uma série de outros movimentos contínuos, que foram colocados em ordem pela própria treinadora dos líderes de torcida da universidade. Era visível para profissionais no esporte que o garoto Kalleghey não estava em sua melhor forma, e podia colocar em risco o desempenho da equipe, mas nada que um pouco de treino não conserte.

A música cessava e mesmo depois de alguns vários movimentos errados, o sorriso típico das líderes de torcida mantinha-se no rosto da garota, que apenas o desfez após ser colocada no chão e olhar para o primo, uma expressão mais de compreensão do que de crítica tomando o lugar da curva anteriormente colocada ali. — Você quer treinar mais ou prefere esperar os outros chegarem? — Perguntou sem tirar os olhos dele um segundo sequer. Ele sabia que ela tinha notado os pequenos erros, mas também sabia que não iria julgá-los pelos cometidos. 

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Finalmente, a época de provas cessou. Monólogos, desenhos, personagens, músicas, coreografias, não veria isso novamente até o final desse novo semestre. Agora era só focar nos novos conteúdos, e se aproveitar deles. Melhorar suas técnicas de mentiras, ou melhor dizendo, e como Tristan mesmo prefere dizer, atuação, e continuar fazendo como sempre fez, e atuar e fingir sua vida. Ao menos ele tinha os treinos de líder de torcida, mesmo sendo base, e mesmo não revelando mas ou ele está ficando mais fraco ou Candy está engordando um pouco, mas a primeira opção é bem mais viável, já que saíra da academia durante a época de provas. Na verdade, do colegial para cá, o começo do terceiro semestre da faculdade de artes cênicas, na universidade local, conhecida como Keystone Valley College. Se arrumava para o treino dos líderes de torcida, e sabia que Candy estaria ali em pouco tempo, visto que ele normalmente acordava uma hora depois dela e mesmo assim sempre estava pronto mais rápido. Uma camiseta totalmente branca com mangas, uma calça azul marinho, da mesma cor que todos os outros no treino sempre usavam, e seu par de tênis com meias finas para que seus pés não suassem tanto e assim não desenvolvessem mal-cheiro. 

Desceu as escadas de casa, após se arrumar. Sua rotina era essa, acordar, tomar um banho, se arrumar, tomar café, e aí sim, ele começava seu dia perfeito. Perfeito aos olhos dos outros, e comum, chato e monótono, as vezes até triste, para ele. Suspirou ao se sentar na mesa. Sua mãe estava sentada na mesa, se servindo de torradas finas com uma pasta de ervas leves que só a empregada sabia fazer, e também uma xícara de chá transparente, que deve ser do legítimo conjunto de xícaras de cristal vindas de Nova Iorque que ela comprou. Tristan a achava muito superficial, até mesmo sabendo que sua beleza sairia quase que totalmente com um pouco de removedor de maquiagem. Eleonor ouviu seu suspiro e fez cara feia. — Onde estão seus modos, Tristan? Bom dia! — Tristan se forçou a não revirar os olhos à ação da mãe. — Bom dia, mãe. — Não gostava de conversar com os pais no período da manhã, eles sempre começavam a fazer perguntas demais e ele sempre acordava de cabeça quente, pensando em ter que enfrentar mais um dia daquela chatice. Se serviu de um copo cheio de suco de caju e meio pão francês sem miolo com queijo branco. Não podia comer muito. Não antes dos treinos de líder de torcida.

Salvo pela buzina”, foi o pensamento que lhe invadiu a cabeça ao ouvir a já conhecida sinalização de que Candy estava o esperando do lado de fora. Pegou sua bolsa lateral, onde tinha todo o seu equipamento extra, e alguns materiais para estudar no período da tarde. Beijou a testa da sua mãe, e acenou para ela, sem fazer barulho. Bateu a porta atrás dele, ignorando o grito que sua mãe deu pelo barulho da batida da porta. Tristan estava no banco de carona do carro da morena em um pulo. Colocou o cinto de segurança antes de responder a prima. — Oi Candy, tenha um bom dia também. — Disse, com um sorriso espontâneo. Abriu o porta-luvas do carro, onde seu pente sempre jazia. O pente esverdeado que sempre conseguia dar um jeito nos cabeços rebeldes e colocá-los para frente. Era comum ter coisas suas junto com Candy, assim como ele tinha coisas dela. Ele costumava se aconselhar com a garota, e foi a primeira pessoa a qual ele conseguiu contar sobre sua sexualidade. Realmente, a reação dela foi muito diferente do que ele pensou que seria, o que realmente era um grande alívio para o loiro. Olhou para Candy ao terminar de arrumar o cabelo e checar pelo retrovisor, e guardar finalmente o pente mais uma vez no lugar ao qual ele pertencia. — Candy, acho que estou fora de forma com os treinos. Tenho que praticar bastante. — E era verdade, talvez estivesse mesmo esquecendo de como lançar a morena, após um tempo de algumas semanas sem treinamento.

O sorriso perdurou no rosto de Candy tranquilamente enquanto dirigia, com os olhos presos na rua que os levava até a universidade. A companhia de alguém que contasse com ela – diferente da maioria de seus conhecidos – e que também pudesse contar era de certo agradável, mesmo que toda a sua vida não fosse do conhecimento do rapaz, inclusive partes importantes dela, como as que envolviam Aaron. Não sabia dizer por que, mas tinha vergonha de admitir o que já sentiu pelo garoto até mesmo para alguém tão próximo quanto o primo. E além do mais, já é passado, não deve ser algo tão importante de se comentar, levando em consideração que fez parte de um momento de sua vida em que Tristan não estava incluso. Engraçado pensar no quanto eles se aproximaram em pouco tempo, esse pensamento cruzou a mente de Candy e ela riu baixo, voltando os olhos para a cadeira de carona e encontrando o outro Kalleghey penteando os cabelos loiros para frente, como faz todos os dias.

O olhar foi rápido e quando Tristan voltou a falar algo, dessa vez sobre os treinos, os olhos castanhos de Candy já estavam olhando o asfalto novamente e o sorriso já não era tão evidente em seu rosto, apesar de não demonstrar mal humor. — Nós vamos chegar um pouco adiantados, dá tempo de praticar um pouco antes do resto da equipe chegar — Disse confiante como sempre, enquanto jogava a franja para trás com um gesto de cabeça. Já avistava ao longe o largo terreno da faculdade e isso a fez suspirar, imaginando o quão longo seria o dia que estava por vir. Em poucos minutos, o portão já estava bem perto e aberto para o carro, que Candy dirigiu ao estacionamento privado mais próximo do ginásio onde praticavam. Assim como já era de se esperar, o lugar estava livre de pessoas e qualquer resquício dos líderes de torcida eram as caixas de som e o próprio aparelho, até onde Candy caminhou para dar fim ao silêncio incômodo daquele ambiente. “Hot To Touch”, de Werewolf vs. Unicorn tocava e já enchia seus ouvidos, trazendo uma onda elétrica ao corpo graúdo enquanto ela se alongava, sem precisar indicar que isso era o que devia ser feito para Tristan. Assim que estava aquecida, olhou de relance para o primo, um meio sorriso pairando em seu rosto, enquanto pronunciava o que já sabia a resposta num tom desafiador, pode-se dizer. — Pronto?

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Os dias eram rápidos, facilmente termináveis, indescritivelmente tediosos e consideravelmente cansativos desde o início das aulas de direito, e os dois anos que passara naquele lugar chamado faculdade foram mais rápidos do que esperava, fato que podia ser analisado de uma forma tanto boa quanto ruim. Afinal, por mais curto que o período tivesse sido, muitas coisas aconteceram. Candy afastou-se consideravelmente de seus amigos mais próximos do colegial e aproximou-se dos novos que conheceu em suas aulas ou em qualquer esquina do campus, entre esses novos conhecidos está o seu namorado atual, Nicholas, com quem compartilha momentos maravilhosos e indescritíveis, apertou laços com o primo mais novo Tristan, sua base na equipe de líderes de torcida do Keystone Valley College e é capaz de dizer que a única relação de sua vida que não mudou foi com Aaron, amigo de infância com quem teve um caso durante o colegial, e apesar desse ter rendido muitos problemas, no fim de tudo as coisas simplesmente voltaram aos seus lugares. Não nega que apesar dos momentos deixados para trás com a vida mole da escola, voltaria para eles sem sequer pestanejar, deixando de considerar a imensa quantidade de coisas maravilhosas que perderia com a mudança.

Era nisso que Kalleghey pensava enquanto deitada na cama, esperava o despertador tocar para levantar-se e começar o dia como qualquer outro. A garota tomou um banho quente e longo, sem preocupar-se com o tempo, pois o despertador estava programado para bem cedo exatamente para não precisar de pressa. Vestiu um roupão branco ao sair do box, para secar os cabelos castanhos e prendê-los em um rabo de cavalo antes de passar hidratante por todo o corpo e vestir um top branco e um short azul marinho para o treinamento de líderes de torcida, juntamente com tênis brancos específicos para o esporte. Candy tem orgulho do que faz, e não mede esforços para comparecer aos treinamentos impecável, nem que para isso precisasse acordar meia hora antes do que qualquer outra pessoa acordaria em seu lugar. No final do seu processo matinal, fitou o espelho por um tempo e analisou-se, imaginando se faltava algo e por fim, pegando uma bolsa grande que jazia em sua cama com o material escolar, uma muda de roupas e uma nécessaire antes de descer as escadas de casa, apenas parando na cozinha para encher a garrafa d’água que levava consigo todo treino.

Já tinha saído de casa e pego o carro fazia algum tempo quando começou a diminuir a velocidade que andava, parando em frente à casa dos Kalleghey que não lhe pertencia. O irmão de seu pai morava ali, assim como o filho dele, Tristan, que provavelmente já estava pronto lhe esperando no térreo da casa. Com o Fiat 500 branco que lhe foi dado pelo pai parado, buzinou uma única vez antes de desviar os olhos da casa para as próprias unhas, buscando defeitos para consertar enquanto Tristan não entrava no carro. Escutou a porta abrir ao seu lado não muito tempo depois e olhou para o lado, sorrindo abertamente para o loiro. — Bom dia! — Cumprimentou-o, enquanto dava partida no carro novamente.

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Title: UnknownBelong Here (Main Title Theme from "Hellcats")
Artist: Unknown78violet
Album: UnknownHellcats (Music from the Television Series) - EP
Played: 220 times

Belong Here - 78 Violet

Get up, get in or get out.

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20 anos | Estudante de direito | FC: Ashley Tisdale | Kalley

Não é necessária muita coisa para notar que Candy Kalleghey é uma garota comum, o grande problema disso é que essa informação está errada. Apesar de passar para as pessoas a imagem de uma garota perfeita, cuja vida não deixa a desejar em nenhum quesito, ela não é bem isso, ela vai muito além de uma imagem. Nascida e crescida na casa do prefeito de Keystone Valley, Candy foi colocada em um ponto alto na sociedade de sua cidade sem saber sequer como acabou ali, o que apesar de parecer bastante bom, lhe rendeu muitas consequências. Por ser uma Kalley de sobrenome, a rivalidade deveria ser evidente entre ela e os Vernies, trazendo para si amizades fortes e falsas com muitos pró-Kalleghey e inimizades desnecessárias com outros pró-Vernon. Apesar de demonstrar um intenso ódio pelos Vernon, no fundo acredita que a rivalidade não tem propósito, mas jamais admitiria isso, principalmente na presença aparentemente incessável de Grace Vernon, com quem criou uma inimizade relevante desde a infância, além de vários outros relacionamentos duradouros.

Desde muito nova, Candy alcançou no colégio notas altíssimas, amigos presentes, o título de capitã das líderes de torcida e um nome conhecido até pelos pais de seus colegas, o que a tornaram a garota do holofote. Tudo o que acontecia se voltava para a mesma, tirando sua privacidade e liberdade de fazer o que bem entendesse. Com exceção, claro, daquilo que a reputação familiar prezava. Foi estimulada a desgostar da “Rainha Vernon” além de manter-se longe da maioria dos Vernies, consequentemente aproximando-se dos Kalleys, parte da cidade que estava apoiando sua família. Desses, criou um vínculo especial com Aaron Danport, garoto pelo qual criou um carinho diferenciado e uma felicidade indescritível ao vê-lo, por mais que não fosse admitida. Foi no tempo que admitiu para si mesma o que sentia pelo garoto que o mesmo começou a namorar com Jaqueline Glim, fazendo-a recuar e colocar em sua cabeça que a relação não daria certo sem nem mesmo tentar.

O tempo passou e a garotinha cresceu, conquistando mais ainda do que já tinha com facilidade impressionável. Venceu diversas competições como capitã das líderes de torcida e deu grandes festas; aumentou suas notas e ficou em boas colocações em olimpíadas estudantis nacionais; foi rainha do baile de formatura e deixou o seu nome como marca na Keystone Valley High antes de ingressar o Keystone Valley College, onde conheceu seu atual namorado Nicholas Howard e cursa Direito como uma preparação para ajudar o pai na prefeitura, mas sem abandonar a liderança de torcida, onde apesar de não ser a capitã, é uma flyer de primeiro nível cuja base é ninguém mais, ninguém menos que seu primo Tristan.

Personalidade: De uma personalidade esnobe e superficial, Candy esconde no seu interior uma essência sem igual, uma garota amigável, inteligente e bastante brincalhona também. Com o tempo, aprendeu a controlar sua intolerância e guarda-la para si, pois não podia sair pelas ruas manchando o nome dos Kalleghey com brigas e barracos. Costuma ser muito prepotente e mimada em relação ao que quer e tem, mas quando o assunto é tentar algo que não está claramente ao seu alcance, ela torna-se assustada e completamente diferente do que costuma ser. Por ser um orgulho para a família, não se expressa da maneira que gostaria por ter medo de perder esse título tão precioso, e não saber como lidaria com a própria vida na ausência dele, que teve desde o momento em que nasceu.

Status: Fechado

Starting ship: Nicholas Howard | Endgame: Aaron Danport

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